Um simples gesto pode mudar tudo

Procuram-se abraçadores de cachorros, gatos e demais animais abandonados, em situação de vulnerabilidade ou que ainda não são de estimação

Texto: Júlia Reis

Um simples gesto pode mudar tudo | <i>Crédito: Divulgação
Um simples gesto pode mudar tudo | Crédito: Divulgação
O mundo para por alguns instantes quando recebemos um abraço. Um acolhimento sincero reduz o estresse, a ansiedade e seus impactos nocivos à saúde. Enquanto pesquisadores comprovam os benefícios da troca de afeto entre humanos, o carinho de pessoas com seus animais domésticos parece ser igualmente importante para o bem-estar dos dois. Foi para isso que duas iniciativas bastante inusitadas chamaram a atenção.

Em um país com mais de 700 mil cães de rua, a Tailândia, o jovem Sorasart Wisetsin decidiu intervir com um simples gesto: abraçar os animais vulneráveis e abandonados. Se parece impossível isolar todos da fome, de maus-tratos e de problemas de saúde, a ação registrada em vídeo (First Hug, “Primeiro Abraço”, em português, do qual retiramos a imagem que ilustra esta página) ganhou repercussão mundial ao propor uma ajuda pelo afeto. Há tempos Sorasart produz conteúdos de conscientização sobre a causa animal e, com esse vídeo, tinha o desafio de conquistar e dar carinho a cachorros na rua, mostrando o relaxamento e a emocionante confiança deles depois do contato amoroso. A campanha ajudou a promover um abrigo para gatos e cães no país, mas tem um argumento internacional: há sempre algo que podemos fazer por quem está à distância de um abraço.

Em outro lugar do mundo, na Irlanda, por conta desse mesmo afeto aos amigos de quatro patas, uma oportunidade de emprego tornou-se concorridíssima: procura se um “abraçador de gatos”. Lançada por uma clínica veterinária especializada no animal, a vaga tem como responsabilidade confortar pacientes depois de procedimentos
ou durante tratamentos. Além de especialização na área, o profissional deve “falar suavemente, ser gentil e conseguir passar muito tempo ao lado dos nossos pacientes”,
diz a enfermeira do local, Roisin Foran. “Sabemos como é difícil passar por uma cirurgia. O abraço libera hormônios que nos deixam (homens e pets) felizes e confortáveis”, garante ela.

Animais – e pessoas – eventualmente precisam da tranquilidade emprestada de outro que afasta o medo e nos faz acreditar que tudo vai ficar bem. A chave para isso dar certo é a confiança dos braços que nos envolvem. Por isso, avaliar e respeitar os limites e vontades das duas partes é fundamental para que o carinho não vire motivo de ansiedade. A imobilização pode, por exemplo, deixar cães, gatos e, por que não, pessoas, mais tensas do que relaxadas caso isso aconteça de maneira forçada ou longa demais. De acordo com Stanley Coren, especialista em comportamento animal da Universidade de British Columbia, no Canadá, orelhas caídas, olhar desviado ou
bocejo são demonstrações de estresse dos cães porque sentem-se presos e incapazes de fugir. Às vezes, um tapinha nas costas é suficiente para transmitir amizade. Pura questão de tato.

16/08/2017 - 11:00

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