Lendas ancestrais

Alguns contos têm um destacado potencial terapêutico. Partilhar dessas narrativas em rodas de mulheres é a missão do projeto Histórias Curativas

Texto: Raphaela de Campos Mello | Fotos: Marianna Portela

Lendas ancestrais | <i>Crédito: Marianna Portela
Lendas ancestrais | Crédito: Marianna Portela
Nos encontros conduzidos pela atriz e contadora de histórias Marianna Portela, em São Paulo, contos de fadas e lendas – muitos deles extraídos do clássico Mulheres Que Correm com os Lobos (ed. Rocco), da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés – vão abrindo canais de reflexão e sabedoria. Temas como intuição, vida criativa, dependência emocional, perdão e como encontrar nosso lugar no mundo norteiam o mergulho interior. “Os contos servem de mote para que cada mulher trace paralelos entre as histórias e suas próprias experiências de vida, podendo ter insights, resgatar desejos esquecidos, redescobrir aptidões, desbloquear sonhos”, explica Marianna, que enriquece a vivência com técnicas de dança e arteterapia, ferramentas de sensibilização e expressão que trazem à tona o que estava guardado. “É muito comum que as mulheres cheguem sem conhecer umas às outras e se abram muito facilmente sobre questões difíceis de serem faladas, mesmo entre amigas”, revela a atriz. Após ter participado de vários círculos, a promotora de vendas Aline Ferreira, de Guarulhos, Grande São Paulo, ainda se impressiona com o poder de mobilização das histórias. “Por meio delas, fica muito mais fácil acessar o mundo interno e perceber as fichas caírem. Sempre mantenho os temas comigo e volto a eles para repensar certas situações e me fortalecer.” Já a escritora Dani Costa Russo, de Vitória, Espírito Santo, outra frequentadora assídua das rodas, enaltece a força da cumplicidade feminina. “As histórias se entrelaçam e as participantes se veem refletidas umas nas outras. Esse tipo de identificação é muito importante para superar traumas, ter sensação de acolhimento, para abrandar a solidão e esquecer culpas que nunca foram nossas”, aponta.  Os encontros de duas a três horas custam a partir de R$ 60; de seis a dez horas, a partir de R$ 100. A programação pode ser vista na página do projeto no Facebook.

Algumas histórias narradas por Marianna Portela que sempre valem a pena conhecer ou reler: 

• Barba-azul, o homem aparentemente distinto que morava em um castelo, mas que assassinava todas as suas esposas, com exceção da última, que consegue se desvencilhar dessa arapuca ao evocar a ajuda de irmãos e irmãs; 
• BabaYaga, a bruxa horripilante e sábia que vivia na floresta e ensina a menina Vasalisa a confiar em sua intuição para enfrentar qualquer perigo; 
• O Urso da meia-lua, que ensina os limites da raiva e do perdão; • O patinho feio, que enaltece a descoberta das coisas que se afinam à nossa alma.

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29/11/2016 - 09:57

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