A pele delicada do recém-nascido

Superfície mais macia e sedosa não há. Por isso, ela requer cuidados que vão do toque suave à escolha de produtos especialmente desenvolvidos para os bebês

Texto: Bons Fluidos Digital/ Foto: Shutterstock

A pele delicada do recém-nascido | <i>Crédito: Shutterstock
A pele delicada do recém-nascido | Crédito: Shutterstock
Quando queremos enfatizar numa conversa que algo é incrivelmente macio e sedoso, recorremos à comparação mais precisa: “como pele de bebê”. Perfeito. Os recém-nascidos têm lá suas vantagens. Como passam nove meses imersos no líquido amniótico, eles se valem de uma película, o vérnix – substância branca e gordurosa –, que recobre o corpo e evita o excesso de umidade e o enrugamento. Após o parto, essa cobertura se vai; entretanto, a cútis mantém a maciez fornecida pelo manto protetor. 

A pele é o maior órgão do corpo humano e funciona como uma barreira entre o organismo e o meio externo. Mas precisa de tempo para se consolidar. “A pele do recém-nascido está em formação. Demora até quatro anos para se desenvolver completamente e ser compatível com a pele do adulto. Até lá, ela é mais frágil e suscetível a ressecamento, irritações e infecções, exigindo cuidados para manter-se saudável”, alerta a pediatra Sabrina Battistella, de São Paulo. “Ela é mais fina – cerca de metade da espessura da pele de um adulto –, tem menos pelos, as glândulas que produzem o suor ainda são imaturas e as células que fabricam a coloração estão em menor atividade. Por tudo isso, é muito sensível ao calor e à luz do sol, precisando ser constantemente protegida”, reforça a dermatologista Silvia Zimbres, com especialização em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

O bebê também tem maior dificuldade em manter a temperatura do corpo. Sua cútis, fina e sensível, não lida bem com o frio nem com o calor, já que a camada de gordura localizada sob ela é rala. Por esse motivo, o isolamento térmico é pouco eficiente. “Em temperaturas mais amenas, o ideal é agasalhar bem os bebês e, no calor, sempre estar de olho para que as brotoejas não apareçam”, aconselha Silvia. Provocado pelo entupimento das glândulas sudoríparas, principalmente no calor, o problema é corriqueiro, mas pode ser prevenido. “Com o suor obstruído em função da brotoeja, cria-se uma inflamação, causando irritação na pele. Por isso, é prudente evitar lugares muito quentes e ambientes fechados”, alerta. 

Outra alteração cutânea que atinge de 30% a 50% dos recém-nascidos é uma mancha vermelha conhecida popularmente como “bicada da cegonha”. A lesão surge geralmente na testa, pálpebras, lábio superior, entre as sobrancelhas ou na nuca. No entanto, normalmente desaparece sozinha à medida que a criança cresce. “Não se desespere se seu bebê nascer com alguma marca de nascença. Procure o pediatra e tire suas dúvidas. A maioria das manchas é benigna”, assegura a dermatologista.

Gestos conscientes

No dia a dia, a higiene deve ser eficaz, porém suave, sempre amparada por produtos especialmente desenvolvidos para atender às necessidades da pele do recém-nascido. As opções mais apropriadas são as fórmulas com pH fisiológico, testadas dermatologicamente e hipoalergênicas, e livres de álcool etílico, substância irritante. Prefira as de cores e aromas amenos, que não irritam a pele. Ainda assim, até o pequeno completar 6 meses de vida, não se deve besuntá-lo com camadas e mais camadas de produtos. O melhor é apostar na simplicidade: sabonete e xampu com pH fisiológico e algodão umedecido em água morna ou lenços umedecidos desenvolvidos especialmente para a pele delicada do bebê para limpá-lo nas trocas de fralda. Se esse cuidado se fizer regular – no mínimo, oito vezes por dia, secando bem as dobrinhas –, as assaduras no bumbum, que nada mais são do que inflamação na pele causada pela combinação de umidade, abafamento e contaminação por fungos e bactérias presentes na urina e nas fezes, terão poucas chances de se instalarem. Cremes ou pomadas que previnem o problema são bem-vindos, desde que indicados pelo pediatra da criança. 

O banho deve ser rápido, com sabonete de pH fisiológico, preferencialmente no umbigo, pescoço, axilas e área das fraldas. “A pele dos adultos produz um óleo para lubrificar e agir contra as bactérias. Já a do bebê o faz de maneira insuficiente. Então, banhos em excesso podem ocasionar irritação e diminuir a proteção contra as bactérias”, explica a dermatologista. Nos casos em que o ressecamento deixa a pele do pequeno opaca, vale pingar duas gotinhas de óleo para bebê na água da banheira. O cuidado deve ser complementado com pequenas quantidades de loção hidratante no corpo. Regiões mais sensíveis, como rosto, genitais e umbigo, devem ser evitadas.

E, como cheirinho de bebê é uma das melhores coisas que existe, a água de colônia está liberada, desde que não contenha álcool etílico e seja aplicada em pequenas doses na roupinha. Outra preocupação diz respeito ao câncer de pele. Bebês de 6 meses de idade não podem usar protetores solares, potenciais desencadeadores de alergias. O uso de bonés, roupas, guarda-sol e a não exposição da criança ao sol das 10 da manhã às 4 da tarde são essenciais para a proteção e prevenção de doenças de pele. Lembrando que, seja qual for a reação que o seu filho apresente, você deve levá-lo sempre ao médico para receber as devidas orientações. 

08/05/2015 - 19:00

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Revista Bons Fluidos