Tesouro indígena

O autoconhecimento está na raiz dos saberes que norteiam a tradição tupi-guarani. Uma trilha aberta a todos

Raphaela de Campos Mello

O Trovão e o Vento – Um caminho de evolução pelo xamanismo tupi-guarani | <i>Crédito: iStock
O Trovão e o Vento – Um caminho de evolução pelo xamanismo tupi-guarani | Crédito: iStock

Por 12 anos, Kaká Werá, índio tapuia, escritor, empreendedor social, educador e psicoterapeuta, pesquisou a fundo a sabedoria ancestral tupi-guarani. Graças a ele, esse conhecimento chega até nós como uma bússola para as questões da alma. Seu mais novo livro, O Trovão e o Vento – Um caminho de evolução pelo xamanismo tupi-guarani (Polar Editora, 252 pág, R$ 68), elucida a história e a mitologia desse povo, reúne cânticos sagrados que ajudam a lidar com os desafios da existência e mostra como os ensinamentos de Tupã (Grande Espírito ou Consciência Infinita) fertilizam uma senda de autoconhecimento. Saiba mais a seguir:

No que consiste o Caminho do Homem Sagrado?

Trata-se de um método de aprimoramento pessoal em que a natureza e suas forças apoiam o ser humano em seu alinhamento, despertar e integração da consciência a partir de músicas, meditações e sons apropriados. Para isso, “há que se conhecer o Trovão e o Vento”, diziam os antigos mestres.

O que isso quer dizer? 

O Trovão representa o despertar da força interior como também a impulsividade dos sentimentos; o Vento, o despertar da suavidade interior como também a dinâmica dos pensamentos.  O grande desafio do ser humano sempre foi equilibrar sentimentos e pensamentos, o que exige muita auto-observação e o desenvolvimento de técnicas apropriadas, como, por exemplo, a meditação. Quando prestamos atenção a esses dois aspectos e cuidamos deles, geramos paz interior e poder criativo.

Qualquer pessoa pode trilhar essa via?

Sim. Para isso, o primeiro passo é considerar que somos espírito e não matéria. A matéria é o molde da vida que é espírito. O segundo é perceber que o espírito é sinônimo de Amor. E o terceiro é reconhecer que todos os reinos - mineral, vegetal, animal e humano - se organizam enquanto formas de vida a partir desse princípio compassivo.

Que aspecto da tradição tupi-guarani mais tem a ensinar a todos nós?

A reconciliação com a natureza pelo reconhecimento de que ela é uma extensão da nossa própria alma. O livro reúne diversos cânticos sagrados com esse sentido. (Segue um trecho do cântico intitulado Tupã: “Eu sou aquele que se expressa através do vento e da brisa, do silêncio e do som, das águas dos rios e dos raios do trovão. Eu sou a mente perfeita, criativa e curadora que traz a luz da qual a matéria é forjada.”)

Contato: kakawera.blogspot.com.br

 

15/02/2017 - 12:59

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