Qual é o seu pedido?

O universo pode dar o que você realmente deseja. Mas não se iluda. Antes de tudo é preciso ter clareza sobre o seu desejo e buscá-lo no fundo da alma

Texto: Monja Coen

Monja Coen | <i>Crédito: Reprodução/ Facebook
Monja Coen | Crédito: Reprodução/ Facebook
Os pescadores estavam tristes. Voltavam com as redes vazias. Um deles insistiu: “Vamos tentar mais uma vez”. Cansados e sem esperança, sentaram-se no barco cabisbaixos. Depois de algum tempo, recolheram a rede. Havia alguma coisa pequena presa nos fi os. Um peixinho? Uma pedra? Uma ostra talvez? Curiosos, recolheram a rede. Os olhos fixos naquela forma dura que, tão leve, ali se prendera. Surpresa. Era a imagem de Kannon Bodisatva. Auspicioso. Kannon representa a compaixão ilimitada e perfeita, capaz de ver os lamentos do mundo e atender aos pedidos verdadeiros. Kan significa ver, observar em profundidade; e on, os sons. Em vez de ouvir os sons, ver os sons.

Ver as necessidades reais e suprir essas necessidades. Bodisatva significa ser (satva) iluminado (bodhi ou bodai). 
Guardaram a imagem com respeito. Uniram as mãos palma com palma e oraram. Cheios de fé e de esperança, tornaram a lançar suas redes, e estas vieram repletas de peixes. A notícia se espalhou. Encontraram uma imagem, fonte de milagres. Todos queriam vê-la, tocá-la. Construíram uma pequena capela. A imagem tão pequenina foi guardada no altar mais alto, dentro de uma caixa forrada de seda. Mais e mais pessoas vieram. Mais casos de milagres e pedidos atendidos. Hoje, essa pequenina imagem dos pescadores é a fi gura principal do Templo de Asakusa Kannon, em Tóquio, no Japão. A sua volta, lojas de alimentos, de imagens, de roupas tradicionais, de lembranças sem fi m. Multidões visitam o local todos os dias.

Fez-me lembrar da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Do outro lado do planeta, uma história semelhante acontecia. 


Será que nós, seres humanos, seremos um dia capazes de reconhecer que nossa estrutura física, mental, psicológica e espiritual é muito semelhante? Não somos iguais. Não há dois seres iguais. Cada um, cada uma de nós é um ser único. Mesmo gêmeos idênticos, mesmo clones. Cada experiência de vida nos transforma e nos modifi ca. A cada instante. Cada livro que lemos, programas de televisão ou rádio que escolhemos, cada mensagem virtual – tudo nos transforma por meio do conhecimento e da informação. Sabemos mais. Precisamos aprender a selecionar e dar foco aos nossos interesses.

Certa vez, num posto de estrada perto da cidade de Aparecida, havia uma capela. Entrei. A prece atrás da imagem deixava um espaço em branco para que eu pudesse fazer o meu pedido. Qual o meu pedido? Em outro momento, Tchijo, pajé de uma tribo de Pernambuco, falou na roda em que eu estava: “Sou um pajé. Faça seu pedido e será atendida”. O meu pedido. Qual é o seu pedido verdadeiro? Fiquei procurando em mim mesma.

Talvez as orações, as imagens representando estados mentais de harmonia, bondade, compaixão sirvam para que possamos esclarecer para nós mesmos o que queremos. Saber o que quer é o primeiro passo para obter. Nem sempre o que pedimos, mas aquilo de que verdadeiramente necessitamos.

31/12/2099 - 00:00

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Revista Bons Fluidos