Uma nova visão

Ao casar a venda de óculos escuros com a doação de óculos de grau para quem precisa desse recurso, a marca Giv.on mostra que o lucro também pode promover o bem

Texto: Raphaela de Campos Mello

André Povoleri Caiaffa | <i>Crédito: Ian Bortz
André Povoleri Caiaffa | Crédito: Ian Bortz
1- Como surgiu a ideia de doar óculos de grau a cada óculos escuros vendidos?

Primeiro veio o problema. Conhecia o trabalho de ONGs que atuam em prol do acesso à saúde ocular, já que 85% dos municípios brasileiros carecem de oftalmologistas. Pensei: como posso usar minha experiência profissional para mudar esse cenário? Daí, surgiu a ideia de produzir óculos escuros. Esse modelo do compre 1 e doe 1 tem dado certo em muitos países. Nosso mérito foi mostrar que também pode funcionar no Brasil.

2- Como a proposta se viabiliza?

São três pilares. De cara, a estrutura da empresa é muito enxuta. Gasto o mínimo que posso com obrigações fiduciárias e trabalho por projetos. Cada coleção é um projeto distinto que mobiliza uma equipe nova, contando com a ajuda de amigos e de freelancers na divulgação. Além disso, a margem de lucro dos óculos escuros (cada par custa
cerca de R$ 320) me permite abrir mão de 50% do faturamento para viabilizar a doação. Por fim, conto com ONGs parceiras na hora de realizar os mutirões de consulta.

3- Como funciona a distribuição?

Levamos a determinados locais um ônibus que abriga dois consultórios oftalmológicos. Aplicamos testes de acuidade visual e, então, a avaliação médica. Para os casos simples, distribuímos óculos com lentes pré-prontas; os demais recebem os acessórios depois. Em lugares mais distantes, fazemos uma primeira visita para avaliação médica e numa segunda viagem levamos os óculos finalizados. Muitos clientes participam dos mutirões, o que é parte fundamental da nossa filosofia.

ANDRÉ POVOLERI CAIAFFA, empresário carioca, é sócio-fundador da Giv.on, criada com o intuito de facilitar o acesso a consultas oftalmológicas e a aquisição de óculos de grau – cerca de 2,5 milhões de brasileiros com problema de visão não têm assistência. Por meio de parcerias com ONGs, a empresa já distribuiu 450 acessórios, inclusive a moradores da Rocinha, RJ, e do Xingu, MT.

18/11/2016 - 14:17

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