Receita cidadã

O projeto Favela Orgânica combate o desperdício de alimentos ensinando comunidades carentes, empresas, escolas, hospitais e até chefs de cozinha a preparar pratos que usam cascas, folhas e talos

Texto: Giuliana Capello

REGINA TCHELLY | <i>Crédito: Letícia Remião
REGINA TCHELLY | Crédito: Letícia Remião
1- Qual é o lema central do projeto Favela Orgânica?

Desperdício se combate com consumo consciente. Só que as pessoas não ouvem nada sobre isso na mídia, não sabem mais de onde vem a comida, não têm planejamento na hora das compras e frequentam mais as farmácias do que os hortifrútis. E isso acontece nas favelas e nos restaurantes de luxo, nos hospitais, nos presídios, nas escolas. Então precisamos falar sobre o tema e ensiná-las a preparar todo o alimento, com receitas que sejam saborosas, é claro.

2- De onde vêm os ingredientes utilizados nos quitutes?

Já inventei mais de 500 receitas, como o salpicão de batata-doce crua com talo de agrião e o sorvete de casa de banana com canela. São pratos perfumados e apreciados até por paladares requintados. Nossa equipe, de 12 pessoas, algumas da favela, já preparou cardápios para mais de 150 eventos! Os talos, as cascas e as sementes eu consigo em feiras livres. Já os produtos orgânicos, de um projeto parceiro no Morro da Babilônia que incentiva moradores a cultivar orgânicos.

3- Mudar a alimentação muda a vida das pessoas? 

Transformar a relação que temos com o alimento é o que faz a diferença. Se aprendo que posso usar os talos em vez de jogá-los, que posso plantar as sementes e colher seus frutos meses depois, que ganho tempo se eu tiver comida no quintal, meu consumo muda, fica mais consciente e aí o desperdício acaba. Essa é a mensagem que quero espalhar cada vez mais. Para isso, este ano vou lançar um livro, e já aceitei um convite para ser apresentadora de um programa de tevê.

REGINA TCHELLY, paraibana, ex-empregada doméstica, sempre deu valor aos “frutos que a terra nos dá”. Quando se mudou para o Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro, assustou com o volume de comida que virava lixo. E resolveu transformar o incômodo em cursos, oficinas e palestras sobre aproveitamento total dos alimentos. 



15/06/2016 - 09:10

Conecte-se

Revista Bons Fluidos