Prazer e propósito

A aliança entre conforto e sustentabilidade resultou na marca de tênis Vert Shoes, feitos no Brasil com design parisiense e matérias-primas que vêm da Amazônia e de cultivos orgânicos no Ceará

Texto: Giuliana Capello

FRANÇOIS-GHISLAIN MORILLION | <i>Crédito: Divulgação
FRANÇOIS-GHISLAIN MORILLION | Crédito: Divulgação
FRANÇOIS-GHISLAIN MORILLION, fundador da empresa, viajou o mundo durante um ano ao lado do sócio Sébastien Kopp, atrás de inspiração para empreender
em algo novo com foco na sustentabilidade. Doze anos depois, comemora o sucesso com uma fábrica em Campo Bom (RS), escritórios em São Paulo, Paris e Londres, 50 lojas no Brasil e mais de mil no exterior

1: Foi útil, na criação da Vert Shoes, conhecer o que já era feito por grandes empresas?

Sim. Viajamos pela China, Índia, África do Sul e Brasil e vimos que os conceitos de sustentabilidade dentro delas era superficial. Restringiam- se basicamente a reciclagem de lixo e economia de água, sem impacto real nas operações. Queríamos fazer algo que tivesse um DNA sustentável, para causar o melhor impacto possível em cada elo da cadeia produtiva e, dentro do nosso alcance, estamos conseguindo!

2: Como é a relação com as comunidades que produzem as matérias-primas dos tênis?

A borracha natural que usamos vem do trabalho de 100 famílias de seringueiros de uma cooperativa no Acre. O algodão orgânico é comprado de 700 famílias produtoras
do Ceará. Os maiores bens de uma empresa são seus colaboradores, fornecedores e parceiros. Ao evitar os intermediários, valorizamos o trabalho das comunidades, remuneramos as famílias com preços justos e melhoramos toda a cadeia.

3: Por que a empresa lista seus pontos fracos no site?

A transparência é algo exigido pelos consumidores, especialmente os europeus. Quem ocultar informações de atuação e fabricação vai perder espaço no mercado. A Vert não é um projeto perfeito, mas uma experiência em andamento. Os cadarços não são de algodão orgânico, por exemplo. A espuma para dar sustentação ao cano dos tênis é
sintética. Reconhecer os limites abre espaço para oportunidades, novas parcerias e ideias.

08/08/2017 - 09:00

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