Frutos da vida

Nóbile Bulhões Rocha sempre sonhou com um mundo mais verde. Ao lado da mulher já plantou mais de 20 mil árvores, reflorestando parte do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro

Texto: Mariana Sgarioni

Nóbile Bulhões Rocha e Satica Rocha | <i>Crédito: Associação Civil Viva Reflorestamento
Nóbile Bulhões Rocha e Satica Rocha | Crédito: Associação Civil Viva Reflorestamento
1- O senhor e sua mulher sempre plantaram sozinhos?

Sim. Começamos com três mudas de pau-brasil que ganhamos na Eco-92. Levamos ao Pão de Açúcar e um soldado disse para desistirmos, pois na pedra nada cresce, só capim. Retruquei: “Se eu consegui plantar no agreste, plantarei aqui”. Depois de um tempo, passamos a contar com voluntários. A partir daí, nunca mais paramos. Nossa alegria é ver árvores frondosas que vingaram (de jabuticabeira a jequitiba, espécies nativas) num lugar antes considerado morto.

2- De que forma vocês conseguiram esse resultado?

É preciso paciência. Primeiro tratamos de retirar o lixo do Costão, que estava debaixo da terra desde a época do Império. Se as raízes das árvores encontrarem lixo, elas morrem imediatamente (por isso só dava capim ali). Depois tem que cuidar da muda. Molhar, voltar lá, acompanhar. A árvore é como um fi lho, que queremos que cresça forte, por isso damos atenção. Quando essa árvore sobe, sentimos tanta alegria que é como viver nas nuvens.

3- Qual a importância das árvores na sua vida?

Plantei a primeira árvore aos 4 anos, no agreste, interior da Bahia, onde meu pai tinha uma fazenda. Eu andava com sementes no bolso e onde encontrava um espaço, plantava. Quando casei e mudei para o Rio, minha mulher disse que antes de morrer gostaria de reflorestar toda a cidade. É o que estamos tentando fazer: onde falta árvore, plantamos. Porque quando vejo uma árvore morta e seca, minha fi lha, é triste demais. Sinto como se fosse uma tragédia.

Graças ao trabalho do empresário NÓBILE BULHÕES ROCHA e sua mulher, SATICA ROCHA, o Pão de Açúcar é verde. O casal já reflorestou 50 mil m² do Costão Leste com frondosas árvores. Aos 78 anos, Nóbile, que nasceu no interior da Bahia, acredita que devemos cuidar d as árvores como nossos filhos.

23/10/2015 - 11:00

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