Flora urbana

Para mudar a relação que temos com a natureza, o Instituto Árvores Vivas entende que informação ajuda, mas é preciso ir além, com interesse e apreciação que toca o coração das pessoas

Texto: Giuliana Capello

Juliana Gatti | <i>Crédito: Sandro von Matter
Juliana Gatti | Crédito: Sandro von Matter
1- Como tem sido o olhar do cidadão para as árvores urbanas?

Infelizmente, bastante distante, embora o entendimento de que precisamos delas perto de nós esteja mudando, devido às crises climáticas e a falta de água. Nas cidades, as árvores são tratadas como postes, algo inerte, sem vida, um produto em que as pessoas penduram fios, pregam luzes, concretam suas raízes. São atitudes de uma cultura em que o consumo prevalece sobre os sentimentos. Falta a compreensão de que se trata de um ser vivo como nós.

2- De que forma o instituto ajuda nessa tomada de consciência? 

Nossas ações culturais e educativas já alcançaram mais de 3 mil pessoas de todas as idades em todo o país. São palestras, vivências, passeios por bairros da cidade, piqueniques, mapeamento de espécies. Nosso lema é aproximar as pessoas da natureza por meio da informação, mas aliado à conexão com nossas memórias afetivas. Podemos reencontrar a admiração pelas árvores ao apreciar sua casca macia, suas cores ou suas folhas lindamente desenhadas.

3- É o encantamento que permite essa mudança?

Sim, basicamente, é como deixar de enxergar a árvore como uma copa verde e um tronco marrom e conhecer um ser único, repleto de informações sensoriais ricas e preciosas: texturas, cores, formas, desenhos de folhas e sementes, aves e outros animais que vivem nelas. Ao serem tocadas pelas árvores, as pessoas mudam de repente, e o dia a dia na cidade é renovado, porque elas se abrem para novas descobertas, passam a observar mais, a querer cuidar, respeitar e valorizar.

20/11/2015 - 10:00

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